Quarta-feira, 2 de Agosto de 2006

MOINHOS E AZENHAS. ACHEGAS PARA O SEU ESTUDO(V)

 
 
 
 
 
PARA A ETNO-HISTÓRIA DE MOURISCAS
VIVÊNCIAS E MEMÓRIAS DE UM JOVEM MOLEIRO
(1944-1949)(V)
 
(CONTINUAÇÃO)
A Fig. VIII mostra-nos uma casal de pedras secundeiras a moer millho, vendo-se a farinha acumulada no soalho .
 

                                        Fig. VIII- Casal de pedras em funcionamento. R.Arcês. CB. 1980
Atendendo a que, até aos meados do século XX, o consumo de pão de milho era prevalecente relativamente ao pão alvo, as pedras mais utilizadas nos diversos engenhos instalados na freguesia de Mouriscas eram as secundeiras, que também podiam moer trigo.

O trigo, que era moído, habitualmente, nas pedras alveiras, mais macias, exigia, para fornecer uma boa farinha, tanto mais branca quanto mais largo fosse o farelo, engenhos de fraca força motriz. Por isso estavam instaladas nas Ribeiras da Arcês e do Rio Frio em moinhos de rodízio. Raramente se encontravam nas azenhas do Tejo e nunca nos moinhos de vento, onde existiam uma força motriz de grande intensidade, que permitia a transformação de grandes quantidades de cereal em poucas horas, só possíveis com o milho.

As pedras alveiras, se porventura instaladas nestes engenhos, dada a velocidade a que trabalhavam, teriam tendência para aquecer demasiadamente, acontecendo, em tais casos, a farinha a elas agarrar-se, colando-as, exigindo, então, uma picagem extraordinária. Por outro lado, a farinha, por muito traçada, seria sempre mais escura.

Os moleiros, na defesa dos seus interesses, sabiam que moer trigo em moinhos com muita força significava uma perda de 2% de farinha, resultante do aquecimento das pedras.


CUIDADOS A TER COM O TRIGO

Ao contrário do que acontecia com o milho, que não exigia cuidados de maior, o trigo, antes de entrar na moega do casal de pedras alveiras, reclamava uma atenção redobrada.

Era em primeiro lugar joeirado com um crivo para expurgá-lo de algum joio, poeiras, areias, palhas, pedras e outras impurezas. Depois, quando necessário, tornava-se necessário lavá-lo para lhe tirar fungos, cuja presença, enegreceria e dava mau gosto à farinha e depois secá-lo. Finalmente, conforme a variedade, tinha de ser remolhado, para se tornar mais macio, para que forneça uma farinha parecida com a areia. Havia trigos, como o barba preta, que exigiam sempre ser remolhados.



Fig. IX. Utensílios utilizados na arte de moleiro
Nesta operação, de um excesso de água, resultava uma farinha de má qualidade, que tinha de ser consumida de imediato, sob pena de ganhar mau cheiro.

Não era, somente, o trigo a moer que reclamava cuidados especiais. Também a pedra alveira merecia redobrada vigilância por parte do moleiro. Como normalmente moía o trigo dos fregueses, de um até dois alqueires, tinha de estar sempre presente até que terminar a operação, nunca utilizando o “ automático”, descrito um pouco atrás.

CUIDADOS COM OUTROS GRÃOS

Os restantes grão a transformar e farinha, de que anteriomente, já disse algo, eram moídos na pedra secundeira, que, pela sua maior dureza, exigia menor atenção. Havia que evitar que entrassem na moega pedras ou corpos muito duros e que o grão estivesse muito húmido ou mal seco, de modo a evitar que a farinha se agarrasse às pedras e as imobilizassem.

Como já foi referenciado o cereal mais utilizado era o milho cuja transformação podia ser feita em qualquer tipo de engenho, com menos ou mais força, embora as farinhas fossem mais macias ou mais ásperas.





 
 
 
 
Investigação e texto de Isabel Maria Bento, Prof.ª de Geografia e Carlos Bento, etnólogo e prof. universitário.
 
(CONTINUA
publicado por casaspretas às 17:20
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