Quarta-feira, 14 de Junho de 2006

MOINHOS E AZENHAS. ACHEGAS PARA O SEU ESTUDO(II)

PARA A ETNO-HISTÓRIA DE MOURISCAS
VIVÊNCIAS E MEMÓRIAS DE UM JOVEM MOLEIRO
 
(CONTINUAÇÃO)
Pelo facto dos meus avós paternos José Lopes Mestre (8.10.1867- 16.7.1949) e Joana Dias(2.1.1868-29.5.1959) possuírem uma azenha( moinho de água ) na Ribeira do Rio Frio, no lugar da Azenha, comecei muito jovem a ter contactos directos com moleiros e com engenhos de farinação.
 
Segundo informações prestadas pelo meu pai, David Lopes Mestre( 1897-1988), no 1º quartel do século passado, estavam instaladas e a funcionar, na Ribeira supramencionada, os seguintes engenhos, de montante para jusante, de:
 
 
1- Luís Farinha, de rodízio, com 2 casais de mós: uma de milho e outra de trigo, no lugar de S. Gabriel;
 
2- Joaquim Cadete, de rodízio, com 2 casais de mós: uma de milho e outra de trigo, no lugar de Cova de Madeiro;
 
3- Manuel Baptista (Machado), de rodízio, com 2 casais de mós: uma de milho e outra de trigo, no lugar de Cova de Madeiro, construída em 1905-1910;
 
4- Manuel Lopes Mestre, de rodízio, com 1 casal de mós de dimensão reduzida: de milho, no lugar de Cova de Madeiro, também conhecida por minhola,( muinhola= azenha pequena);
 
5- Manuel Baptista Santa, de rodízio, com 2 casais de mós: uma de milho e outra de trigo, e de roda com 1 casal de mós: de milho, no lugar de no lugar de Cova de Madeiro;
 
6- Joaquim Dias ou Joaquim Moleiro, de rodízio, com 2 casais de mós: uma de milho e outra de trigo, no lugar de Azenha;
 
7- José Lopes Mestre, de rodízio, com 3 casais de mós: duas de milho e outra de trigo, no lugar de Azenha. Este engenho apenas tinha a jusante um lagar de azeite, de Francisco Domingos, também movido a água proveniente de açude e levada ou valas, comuns
 
Esta “azenha”dos meus avós foi construída, com a residência e anexos(Fig. I) em 1922-1923, tendo toda a serventia das obras sido dada pelas minha tias Joaquina Dias( 20.3.1899-7.3.1993 e Joana Dias(4.8.1904- ), nessa data, ainda solteiras.

Fig. I- Complexo de edíficios construídos.

Após a conclusão das obras, os meus avós, que moravam no Camarrão passaram a residir no novo local, tendo por vizinhos, somente um casal: o Joaquim Moleiro, acima nomeado, e sua mulher Joaquina Moleira.

O acesso ao local, feito por um caminho estreito, assente na rocha, muito inclinado e cheio de curvas, era deveras difícil. Por ele podiam circular carros, animais de carga e pessoas. A subida com carros carregados constituía um grave problema e apenas se tornava possível com o carro quase vazio ou então puxado por duas juntas de bois ou parelhas de muares.

A Figura II, que analisaremos, mais adiante, dá-nos uma ideia dos edifícios construídos, separados pelas valas que conduziam a água de um açude comum para a azenha e para o lagar citados, existindo uma estreita ponte de alvenaria com laje de pedra, que estabelecia a passagem pedonal entre os dois complexos e permitia a passagem de pessoas e gado de pequeno porte. Voltarei ao assunto.

Entre a residência e a loja, passava um caminho pedonal que dava acesso de pessoas e animais às residências dos dois moleiros e à Ribeira, que depois de transposta, seguia pelo casal dos Farinhas até se cruzar com um caminho carreteiro, vindo do Norte. Caminho, que um pouco mais adiante, junto à passagem de nível, se direccionava para sul, acompanhando a linha do comboio, que atravessava, até à Ribeira das Boas Eiras, para depois atingir a Estação da Alvega e as duas lojas aí estabelecidas. Neste local havia uma barca- a barca da Alvega-, movida à vara, que permitia a passagem entre as duas margens do rio Tejo: Estação/Alvega, que transportava pessoas, animais e mercadorias.


Investigação de Isabel Maria Bento, Prof.ª de Geografia e Carlos Bento, etnólogo e prof. universitário.
Texto de Carlos Bento.

(CONTINUA)




publicado por casaspretas às 16:34
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